A Síndrome do Pânico, Transtorno do Pânico ou Transtorno de Ansiedade Paroxística
“Era noite e eu estava reclinado sobre o sofá da sala. De repente,
comecei a perceber uma sensação apavorante. Era como se eu estivesse morrendo ou
como se eu fosse morrer a qualquer momento. Não havia, aparentemente, nada que
pudesse justificar aquela sensação de pânico e de terror. Uma sensação de morte,
de total perda de controle, que vinha em forma de sucessivas ondas de pavor
inexplicável. Eu não tinha absolutamente nenhum controle sobre aquilo, e aquela
falta de controle me apavorava ainda mais. Era um medo terrível de algo que eu,
simplesmente, não sabia o que era. Comecei, então, a gritar e parecia que não
haveria no mundo inteiro uma solução para aquele medo mesclado com terror. Era
como se apenas uma única coisa fosse certa: Eu iria morrer.”
Este é o relato de um paciente que foi tomado por uma aguda crise de pânico.
Quando pude intervir, estando eu no local, mediquei-o e, somente após cerca de
uma hora, o paciente adormeceu e a crise desapareceu. Após o tratamento, nunca
mais houve nenhuma outra crise semelhante.
O transtorno do pânico foi classificado como um transtorno de ansiedade pelo
manual de diagnósticos mentais dos norte-americanos, o DSM, Diagnostic and
Statistical Manual of Mental Disorders (Manual de Estatística e de Diagnóstico
de Transtornos Mentais), da Associação Americana de Psiquiatria e também pela
CID, a Classificação Internacional de Doenças, mais utilizada no continente
europeu. Esta síndrome consiste de inexplicáveis crises de grande ansiedade,
estresse, medo e pânico que acometem muitas pessoas, a qualquer hora e em
qualquer lugar. É também chamada de síndrome do pânico ou transtorno de
ansiedade paroxística.
Cargas de adrenalina são lançadas na corrente sanguínea sem que haja um perigo
aparentemente real, e uma reação de luta e fuga tem lugar podendo levar o
indivíduo a um estado de pânico e/ou à uma horrível sensação de morte iminente.
Muitas dessas pessoas não conseguem mais sair de casa por temerem que as crises
aconteçam no meio da rua, no trabalho, na escola ou na faculdade, uma condição
médica psiquiátrica conhecida por agorafobia. O transtorno do pânico pode
evoluir com ou sem a presença de agorafobia ou de fobias sociais, embora o
isolamento destes diagnósticos seja muitas vezes impossível. A síndrome do
pânico pode chegar a atingir níveis de intensidade tão dramáticos que chegam a
inutilizar o indivíduo para o trabalho e para a vida social, e as consequências
familiares conseqüentes são, muitas das vezes, catastróficas e devastadoras.
A situação pode se agravar e piorar ainda mais se o isolamento, e não o
tratamento psiquiátrico, tiver sido a opção do paciente, voluntária ou
involuntária. Devido ao isolamento, muitos desses pacientes passam a ter,
juntamente com as crises de pânico, profundos episódios depressivos, ficando,
por vezes, extremamente difícil de discernirmos os limites entre os dois
diagnósticos, embora ambos estejam, em muitos casos, presentes e indissociáveis
em um mesmo processo de adoecimento mental. O nosso objetivo é o de fazer o
leitor compreender os mecanismos básicos fundamentais que desencadeiam e que
mantêm ativas estas perturbações mentais e emocionais.
A coexistência de mais de um transtorno psiquiátrico (comorbidade) nos pacientes
portadores de depressão é algo que nos parece inquestionável, e não é pequena a
quantidade de literatura médica que pode bem suportar esta afirmação. Muitos dos
pacientes que procuram os serviços médicos, especializados ou não, trazem
queixas e sintomas que terminarão por conduzí-los a um diagnóstico de transtorno
depressivo ou de transtorno de ansiedade (ressaltamos estes transtornos em razão
dos objetivos deste artigo). E mesmo que, em diversas ocasiões, não seja fácil
ou sequer possível saber qual dos dois transtornos veio em primeiro lugar, o
fato é que a sua coexistência (comorbidade) poderá se evidenciar de diversas
maneiras. E a presença destes dois transtornos coexistindo em um mesmo paciente
é um dos precipitadores de um maior sofrimento e, muitas vezes, o leva a
procurar auxílio médico mais rapidamente do que se apenas um dos dois
transtornos estivesse isoladamente presente.
O United States Public Health Service (Serviço de Saúde Pública dos Estados
Unidos) publicou o resultado de dois estudos denominados de ECA, Epidemiologic
Catchment Area e o NCS, National Comorbidity Study mostrando que as fobias, o
transtorno de ansiedade generalizada e o transtorno do pânico respondem, juntos,
por 36.6 % das taxas de prevalência de transtornos mentais em indivíduos com
idades entre os 18 e os 54 anos.
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, DSM, embora seja uma
das melhores tentativas de sistematizar diagnósticos categoriais em psiquiatria
de que dispomos, não é um manual de ciências exatas. Sendo assim, por muitas
vezes somos obrigados a firmar diagnósticos que não se harmonizam perfeitamente
com o DSM ou com a CID10. Isto pode acontecer ao abordarmos determinados
pacientes que sofrem da síndrome do pânico, por exemplo. Muitos pacientes, após
sucessivos episódios de estresse (estresse quer dizer "pressão") persistente e
de ansiedade, que podem durar dias, meses ou anos, podem chegar ao extremo de
desenvolver a síndrome do pânico, enquanto outros, com os mesmos sintomas de
estresse e de ansiedade, nunca chegam a experimentar sintomas que os possam
enquadrar como portadores da síndrome do pânico, uma síndrome de ansiedade
severa paroxística.
Também são muito frequentes os estados mistos onde coexistem transtornos
ansiosos e transtornos do humor, como a presença de depressões e da síndrome do
pânico, juntas. A depressão, em si, pode mesmo vir a ser a causa do início de um
quadro de transtorno de pânico, lembrando, todavia, que a síndrome do pânico é
classificada como um transtorno de ansiedade, e o transtorno depressivo é
classificado como um transtorno do humor, no modelo categorial de diagnóstico
psiquiátrico da CID10 ou do DSMIV.
Em outras palavras, a síndrome do pânico pode ser entendida como uma situação de
grande ansiedade que pode ser desencadeada pelo estresse, ou por algum
transtorno depressivo, em uma colocação algo simplista, porém prática. E não é
infrequente encontrarmos pacientes com mais de um diagnóstico psiquiátrico, com
três, quatro, ou até mais diagnósticos. Todavia, abordarmos aqui os problemas
coexistentes nessas linhas limítrofes de diagnóstico psiquiátrico fugiria aos
objetivos deste breve artigo.
Concluindo, podemos definir para o leitor a síndrome do pânico como um estado
mental e emocional de profunda e lancinante ansiedade, amedrontador, extenuante,
profundamente comprometedor do desempenho intelectual e físico e que pode se
manifestar quando menos se espera, daí o pavor que muitos sentem de serem pegos
de surpresa na rua, no trabalho, na escola ou mesmo nos momentos de lazer. As
palpitações são frequentes, as tremulações, sensações de esquecimento abrupto,
de desnorteio e um medo de perda de controle e até um medo da morte são
sensações que comumente são relatadas pelos pacientes acometidos por esta
síndrome, para a qual existem tratamentos com excelentes resultados.
Para Referência: "Síndrome do Pânico". Em "www.dradnet.com"
