Medicamentos em Psiquiatria e Disfunções Sexuais (Diminuição da Libido, Anorgasmia e Disfunção Erétil).
Libido vem de um vocábulo em Latim e significa desejo ardente, desejo sexual ou
ainda liberar para o prazer. A libido humana depende de fatores diversos tais
como: fatores psíquicos, afetivos, sociais e também hormonais (somatogênicos).
São diversas as medicações que têm a capacidade de interferir na libido, e isto
não é uma exclusividade das medicações psiquiátricas. Diversos medicamentos (ou
drogas medicamentosas) utilizados pela Cardiologia, Urologia e pela
Gastroenterologia, citando apenas estas, podem interferir na libido. Para citar
alguns exemplos: os beta-bloqueadores, os agonistas alfa2-adrenérgicos,
diuréticos tiazídicos, inibidores da enzima de conversão da angiotensina, são
medicamentos que podem interferir com a libido, dentre diversos outros.
Lembrando que condições médicas como o Hipogonadismo, a Hiperprolactinemia, o
Hipo ou o Hipertireoidismo, Tumores Hipófisários, dentre outras doenças e
disfunções orgânicas, também podem interferir no desejo sexual.
Medicamentos que interferem com o sistema hormonal (Prolactina, Testosterona,
Dehidroepiandrosterona ou Dehidro-Epi-Androsterona - DHEA) e com
neurotransmissores como a Serotonina, a Norepinefrina e a Dopamina estão
frequentemente associados a efeitos colaterais ligados à disfunções sexuais
(comprometimento da libido e/ou do desempenho sexual).
Em Psiquiatria, diversos transtornos evoluem com diminuição, ou mesmo abolição
da libido, sendo que os transtornos depressivos e os transtornos ansiosos
figuram (pelo menos quantitativamente) entre os transtornos psiquiátricos onde
as alterações do desejo e do desempemho sexual estão mais frequentemente
presentes (prevalência elevada). Também determinadas fobias, o etilismo crônico
e o uso de drogas ilícitas, sobretudo a Cocaína e seu derivado mais agressivo, o
Crack, possuem diversas implicações negativas sobre o desejo e também sobre o
desempenho sexual.
Porém, parece não haver dúvidas quanto ao fato de que diversos medicamentos
utilizados tanto pela Psiquiatria, mas também pela Neurologia, podem ter o
efeito da redução da libido. Impotência, retardo do orgasmo, anorgasmia são
queixas não infrequentes entre diversos pacientes que utilizam algumas dessas
medicações. Isto significa que embora a diminuição da libido esteja
inerentemente relacionada à disfunção sexual, nem todos os medicamentos cujos
efeitos colaterais reportados como sendo disfunções sexuais interferem
necessariamente na libido, pois alguns deles possuem efeitos principalmente
sobre o desempenho sexual. Medicamentos que levam a uma elevação dos níveis de
serotonina e de norepinefrina parecem ser os que levam a mais efeitos
secundários ligados a libido (quantitativa e qualitativamente). Citemos aqui os
medicamentos da categoria dos antidepressivos, sobretudo os Inibidores Seletivos
da Recaptação de Serotonina (ISRSs) e os Inibidores Seletivos da Recaptação de
Noradrenalina (ISRNs). Também os principais antidepressivos tricíclicos
(Amitriptilina, Imipramina e Clomipramina) devem ser citados devido aos seus
efeitos anticolinérgicos e seus efeitos inibitórios sobre os níveis de
prolactina, o que também podem levar a alterações do desejo sexual (sexual
drive).
Estes problemas têm sido exaustivamente estudados e já podem ser contornados não
só pelo uso de antidepressivos mais recentes e menos intervenientes nos
componentes neurobioquímicos e hormonais relacionados à diminuição da libido,
mas também com o uso de determinados medicamentos que podem reduzir
significativamente o problema em questão. Hoje há medicações disponíveis que
interferem pouco e as que em nada interferem no desejo sexual. Também a correta
administração e regulação posológica no uso dessas medicações pode ser uma
maneira bastante eficaz de se lidar com estes efeitos indesejáveis produzidos
por esses medicamentos.
Há também medicações antipsicóticas, anticonvulsivantes e estabilizadoras do
humor que podem ter efeitos adversos sobre a libido. Com relação aos
antipsicóticos, há que se salientar que alguns dos chamados antipsicóticos
atípicos são bem menos problemáticos do que os antipsicóticos clássicos quando
se trata de efeitos adversos envolvendo o desejo e o desempenho sexual. Isto
parece estar relacionado ao fato de alguns deles não interferirem nos níveis de
prolactina, pois como já dito, a Hiperprolactinemia (primária ou secundária)
está associada à diminuição do desejo sexual. Antipsicóticos com grande potência
antagonista dos receptores dopaminérgicos são também frequentemente associados a
problemas sexuais disfuncionais, e isto pode incluir tanto os antipsicóticos
clássicos como os atípicos.
Aqui, importante mencionar que em Psiquiatria, quando se trata da abordagem da
diminuição do desejo e/ou do desempenho sexual, há que se avaliar se a causa do
problema é a doença psiquiátrica em si, a medicação utilizada, ou ainda uma
combinação de ambas.
Dr Eduardo Adnet - Médico Psiquiatra
Especialista Titulado Pela Associação Brasileira de Psiquiatria e
Associação Médica Brasileira
